Mostrando postagens com marcador violência doméstica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador violência doméstica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

SINAL DE ALERTA PARA NÃO SE ACOSTUMAR COM O QUE TE MACHUCA

Por Néa Tauil

Recorte da live realizada no dia 30/10/23, no PROGRAMA HORIZONTES da RÁDIO MANAWA, para falar sobre RESPONSABILIDADE AFETIVA NA VIDA A DOIS. Assista no canal o vídeo na íntegra! (www.youtube.com/@movimentofamiliaeu)

POR UMA CULTURA DO AMOR-PRÓPRIO GERADOR DE AMOR  #shorts

NÉA TAUIL Psicóloga, psicoterapeuta, palestrante e idealizadora do Movimento Família EU: educando para o AMOR-PRÓPRIO CRP 07/10971

Site: www.familiaeu.com.br E.mail: familiaeu8@gmail.com MANTENHA-SE LIGADO(A) EM NOSSAS REDES SOCIAIS - Youtube: https://www.youtube.com/@movimentofamiliaeu - Facebook: https://www.facebook.com/familiaeu8 - Instagram: https://www.instagram.com/@/movimentofamiliaeu #movimentofamiliaeu #amorproprio #psicoterapia

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

QUANDO UM CASAL PRECISA DE PSICOTERAPIA?


 Por Néa Tauil






É certo que todos os casais colecionam conflitos de várias espécies, em contextos  e características absolutamente particulares de cada casal e de cada pessoa que o forma. Porém, nem sempre é fácil determinar qual o momento exato de se procurar psicoterapia para o casal, na tentativa de encontrar uma saída para os problemas do relacionamento. 



Contudo, a partir da minha visão e experiência, como psicóloga, se pensarmos de forma preventiva, seria importante que o casal procurasse ajuda, quando identificasse divergências consideráveis e repetitivas, sobre as quais não consegue chegar a nenhum acordo, o que é comum, por exemplo, com a educação de filhos. No entanto, a predominância é pela procura profissional, quando há, depois de várias e desgastantes tentativas, com conflito já deflagrado, com adoecimentos e aparecimento de graves sintomas em um dos parceiros ou nos filhos.


Na verdade, o diálogo franco e desprovido de rancores é sempre uma boa alternativa para elucidar dúvidas e resolver questões que podem ameaçar a boa convivência entre os parceiros. Mas, contrariando o que muitos pensam, nem sempre é a falta de comunicação o principal problema, que pode desencadear outras dificuldades na relação, mas comunicações inadequadas, prejudiciais ao diálogo construtivo que se constitui de várias características, como escuta atenta, linguagem respeitosa e não violenta, legitimação do que diz e sente a outra pessoa, tom de voz, escolha de momento e lugar para conversar, entre outras. Comunicar-se de forma positiva para o relacionamento é um de seus alicerces mais importantes, e o psicoterapeuta colabora muito para que isso aconteça.

Infelizmente, há muitas dificuldades culturais e sociais para o reconhecimento e procura desse tipo de psicoterapia, sendo mais constante a ida de um ou outro para uma psicoterapia individual, quando vão, ou o encaminhamento de filhos para tratamento. Ainda hoje, há quem pense que quem faz psicoterapia de casal acaba se separando, que apenas pessoas " loucas" precisam dessa forma de tratamento ou que procurar ajuda é uma demonstração de fraqueza. 


A grande questão é que ainda existe muito preconceito sobre procura de atendimentos à saúde mental, psicológica e emocional. Mas, importa dizer que os problemas emocionais e as doenças mentais trazem muito sofrimento e limitações àqueles que os sentem, porém, não deixam sinais físicos, nem alterações laboratoriais. Ou seja, o fato de os transtornos não serem perceptíveis, como uma febre ou um osso quebrado, faz com que as pessoas não os compreendam e com isso acabam prejudicando a própria qualidade de vida e daqueles que o cercam.



Por isso, é importante   desconstruir os conceitos preestabelecidos sobre psicoterapia em geral ( individual, casal ou familiar), aprendendo a olhar para ela como um modo de cuidar das diversas formas com as quais o sofrimento humano pode se manifestar. Sem dúvida, a psicoterapia é uma  ferramenta útil, pois auxilia a ampliação da consciência e a vislumbrar possíveis caminhos que sejam diferentes da incomunicabilidade e do cultivo de sentimentos negativos, que podem induzir à violência física ou psicológica que ocorre nas famílias, especialmente a conjugal. Então, com a mente aberta, a intenção de melhorar e a busca pela psicoterapia, pode-se obter muitos benefícios para si mesmo e, consequentemente, para aqueles com quem convive.





Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)
Psicoterapia Beneficia as Pessoas - http://psicologaneatauil.blogspot.com
Contato: neatauil@gmail.com

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A RELAÇÃO DO CIÚME PATOLÓGICO COM A INFÂNCIA

Por Néa Tauil

É fato que todos nós cultivamos certo grau de ciúmes. Mas, esse sentimento,  em sua forma excessiva tornou-se um dos principais responsáveis pelo aumento da violência doméstica ( que envolve tanto a agressão física quanto à verbal) e, consequentemente, dos homicídios, que são noticiados diariamente.

As causas do ciúmes estão estritamente relacionadas à infância, como afirma Skoloff, (1954, apud, Alves, 2001, p.18) “o ciúme excessivo das pessoas adultas, de caráter neurótico, irracional, tem sua real origem nos traumas ciumentos da primeira infância”. Dessa forma, podemos afirmar que o ciúmes patológico está associado às vivências da infância.

Como se sabe, todos nós já fomos um recém-nascido, um bebê, uma criança, por isso, temos uma história única e específica de nossa infância e, a maioria das histórias infantis estão cheias de dores e dificuldades individuais  vividas  na infância e que registram, em cada um de nós, um padrão de funcionamento. Com isso, pode-se dizer que as gravações psíquicas e emocionais da nossa primeira relação com mãe ou pai estão registradas para sempre em nosso inconsciente. Ou seja, temos inscrito em nós um padrão - características "formatadas" nessas relações fundamentais com nossos pais   - de desejo, ciúme, ódio, aversão, amor, traição, mágoa, ressentimento, desconfiança, etc.  A forma de cada criança vivenciar essa relação influenciará toda sua estrutura psíquica, determinando, na vida adulta, como essa pessoa irá se posicionar frente ao amor e viver a fantasia de ser amada ou rejeitada.

Isso mostra que não é por acaso que o ciúme patológico - no contexto de um relacionamento amoroso -  compreende vários sentimentos perturbadores, desproporcionais e absurdos, os quais determinam comportamentos inaceitáveis ou bizarros. Esses sentimentos envolvem um medo desproporcional de perder o parceiro(a) para um(a) rival, desconfiança excessiva e infundada, gerando significativo prejuízo no relacionamento interpessoal. Considera-se que o ciúme patológico pode se mostrar em três casos: na forma de ciúme prevalente (que surge como um traço isolado), de ciúme obsessivo (quando a pessoa tem idéia fixa na traição e não consegue parar de pensar nisso) e de ciúme delirante (a convicção fantasiosa de que a outra pessoa é infiel, ainda que o fato não tenha qualquer nexo com a realidade). 

Segundo Bernardo Stamateas (2010), o ciumento tem medo de perder porque não tem a permissão interior de ter. É alguém que cresceu em um ambiente de violência e abandono, onde o pai ou a mãe sempre o desqualificavam, ou  o enganavam, enfim, em um lugar onde os pais não davam permissão, ou seja, lugar onde faltou validação. Diz ainda que  os pais são aqueles que devem bendizer os filhos, já que isso significará dar permissão para ter, viver e poder. Talvez isso explique porque uma das características mais comuns da pessoa excessivamente ciumenta é a baixa autoestima. Ela não acredita que tem valor e merece respeito. Acha que é alguém que a qualquer momento pode ser traído e abandonado. Somam-se ainda fatores como insegurança, medo, instabilidade e a própria desorganização pessoal.


É fato que crimes passionais, privações momentâneas de consciência, adesões afetivas inexplicáveis e violentas falam de várias reações a um buraco afetivo acontecido no começo da infância e que precisa ser preenchido de qualquer maneira, para que algum sentido aconteça ao afeto perdido inexoravelmente. Assim, podemos perceber, logo de início, que o ciúme não se trata de um sentimento voltado para o outro, mas sim voltado para si mesmo, ou seja, para quem o sente. Na verdade, o medo que alguém sente de perder o outro ou sua exclusividade sobre ele é um sentimento egocentrado, que pode muito bem ser associado à terrível sensação de ser excluído de uma relação (Santos, 2002, p.76)

Não há como negar que relacionamentos saudáveis consistem em respeitar e valorizar a individualidade, tanto do outro como a própria. Então, para deixar de fazer do parceiro um instrumento para curar suas dores infantis é essencial que a pessoa portadora de ciúme patológico tenha noção de que alguns problemas requerem mais que somente sua boa vontade de mudar, mas sim a ajuda de profissionais que estão aptos a tratá-lo. Felizmente há tratamento. O primeiro passo é reconhecer quando o ciúme está passando dos limites e buscar ajuda psicológica, pois como vimos anteriormente, o ciúme tem mais a ver com a relação consigo mesmo do que com quem se ama.  






Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil
Psicoterapia Beneficia as Pessoas - http://psicologaneatauil.blogspot.com
contato: neatauil@gmail.com 

REFERÊNCIAS:

ALVES, Roque de Brito. Ciúme e Crime: Crime e Loucura. Rio de Janeiro: Forense, 2001.
STAMATEAS, Bernardo. Emoções Tóxicas. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010.
SANTOS, Eduardo Ferreira. Ciúme e Crime: Uma observação Preventiva. Psic, cerqueira césar,
v. 3, n.2, p.74 - 77, 2002.