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sexta-feira, 29 de abril de 2022

PSICOTERAPIA PARA O RESGATE DO AMOR-PRÓPRIO

Por Néa Tauil

A psicoterapia é um modo de cuidar das diversas formas com as quais o sofrimento humano pode se manifestar. Geralmente, quando uma pessoa procura pela psicoterapia, tem algum sofrimento ou algo que a incomoda. O autoconhecimento já está relacionado a essa busca desde o início.

Então, quem não recebeu a Educação para o amor-próprio na infância e por isso não aprendeu a se amar - na idade adulta pode resgatar o amor-próprio através da psicoterapia - pois na idade adulta o amor-próprio começa com o autoconhecimento e a psicoterapia é um caminho para autoconhecer-se. Ou seja, conhecer os diversos eus com suas funções e papéis que compõem a própria Família EU( eu físico, eu mental, eu emocional, eu sexualidade, eu espiritual, eu criança interior, eu profissional, eu social e muitos outros).

Conhecendo e encarando os diversos eus da própria Família EU de frente, podemos lidar com eles sem nos entregarmos as suas artimanhas ou gastar tanta energia para negá-los. Até porque, não há mesmo como fugir, eles nos acompanham. E para não prejudicarmos a própria vida, o melhor é conhecê-los e chamá-los pelo nome.

Se você sentiu que deseja marcar uma sessão para iniciar com a psicoterapia, pode me enviar uma mensagem por aqui ou nos contatos logo abaixo.

Néa Tauil – Psicóloga, Psicoterapeuta e Presidente do Movimento Família EU: educando para o amor-próprio
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sábado, 20 de novembro de 2021

EDUCAÇÃO PARA O AMOR-PRÓPRIO NO COMBATE AO RACISMO

Por Néa Tauil

Nenhum ser humano, ao nascer, traz consigo o racismo e muitos outros tipos de preconceito.
Na verdade, o processo de construção das ideias preconceituosas acontece durante o desenvolvimento infantil. O tipo de educação que uma pessoa recebe, na infância, é fator determinante no comportamento e, consequentemente, na qualidade de vida dela, quando adulta.

Então, se quisermos mudar o atual cenário social, repleto de desamor por si mesmo e pelo próximo, precisamos colocar em prática a Educação para o amor-próprio, porque acredito que ela é capaz de mudar o modo como é construída as relações humanas e curar o planeta, já que é um método que ensina a criança que está em desenvolvimento a amar-se , a respeitar-se, a valorizar -se, a considerar-se, a aceitar-se, como também é um método que possibilita o adulto, que não aprendeu a se amar na infância, resgatar o amor-próprio com os seus elementos como: autoestima, autorespeito, autovalorização, autoreconhecimento, autoaprovação...

Dessa forma, a criança que será o adulto de amanhã - e o adulto que não aprendeu a se amar na infância – tende através da EDUCAÇÃO e REEDUCAÇÃO para o amor- próprio a ser uma pessoa amorosa, positiva, segura de si, respeitosa, justa, ética, autêntica, enfim, uma pessoa saudável, feliz, bem ajustada, empática e, por isso, capaz de calçar o sapato alheio. Sim, nós podemos com a Educação para o amor-próprio erradicar o racismo do planeta.


NÉA TAUIL
Psicóloga, psicoterapeuta, palestrante e idealizadora do Movimento Social Família EU:
educando para o AMOR-PRÓPRIO CRP 07/10971 Site: www.familiaeu.com.br E.mail: familiaeu8@gmail.com MANTENHA-SE LIGADO(A) EM NOSSAS REDES SOCIAIS - Youtube: https://www.youtube.com/FAMÍLIAEUeducandoparaoamorproprio - Facebook: https://www.facebook.com/familiaeu8 - Instagram: https://www.instagram.com/familia.eu

sábado, 26 de dezembro de 2020

ABUSO SEXUAL, FÍSICO E PSICOLÓGICO DEFORMA A VIDA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

 Por Néa Tauil


Ao contrário do que se pode pensar, o ambiente familiar nem sempre é um local harmonioso, afetivo, seguro, confiante e protetivo, pois a prática de violência (seja, física, psicológica ou sexual), contra crianças e adolescentes, por parte do pai, da mãe, irmãos, tios, avós ou de outros cuidadores, acontece diariamente em muitos lares.

Resumidamente falando, abuso psicológico é um tipo de violência que se manifesta através de xingamento, desvalorização, humilhação, ameaça, hostilização, desrespeito, ridicularização, indiferença, discriminação, rejeição, críticas, culpabilização, etc. Já o abuso físico envolve os danos no corpo causados por murros, pontapés, queimaduras, apertões, beliscões, espancamento, ou outros tipos de ações agressivas contra a criança/adolescente. Quanto ao sexual, compreende a violação dos direitos sexuais, que se traduz pelo abuso e/ou exploração do corpo e da sexualidade da criança/adolescente ao envolver e despertar meninas e meninos para o sexo precocemente, de maneira deturpada e traumática.

Pode-se afirmar que qualquer tipo de abuso, na infância ou adolescência exerce um impacto negativo sobre a criança/adolescente. Os efeitos dessas experiências violentas e traumáticas podem manifestar-se de várias formas e em qualquer idade. Sendo que em alguns casos, os danos físicos e psicológicos podem durar por toda vida da pessoa. Isso evidencia que uma criança ou um adolescente não resolve, conscientemente, que irá crescer e ser um delinquente (que lesa outras pessoas), um pedófilo, um dependente químico descontrolado e autodestrutivo, uma vítima que se deixa abusar pelos outros, um assassino em massa, uma prostituta ou uma pessoa perturbada por transtornos de ansiedade, depressão, impulsividade, culpa, insegurança, vergonha, pensamentos suicida, dificuldade de socialização, etc. A Educação para o ódio-próprio inclui esses três tipos de abusos e o resultado na idade adulta  pode ser visto no cenário social. Então, vamos lutar juntos pela Educação para o amor-próprio, só assim a humanização será  possível. 



Todos os direitos reservados a Julcinéa Tauil (Néa Tauil)
Nėa Tauil – Psicóloga, psicoterapeuta,  presidente do Movimento Social Família EU:educando para o amor-próprio
www.familiaeu.com.br

domingo, 11 de dezembro de 2016

O INCONSCIENTE NA SUA VIDA


Por NéaTauil



Muito já se falou sobre o inconsciente, mas poucas vezes, em nossas ações cotidianas, nos damos conta de que estamos agindo regidos por ele. Estima-se que mais de 90% de tudo o que fazemos têm influência de nosso inconsciente. Por exemplo: a escolha do parceiro ou parceira, a profissão que exercemos, a cidade ou a residência em que moramos, etc. Ou seja, temos consciência de só uma pequena parte de nossas atitudes, em comparação a área de funcionamento inconsciente, que é muito mais extensa, abrangendo os fenômenos de que a pessoa, "na maior parte do tempo", não se dá conta." É por isso que Sigmund Freud - considerado o pai da psicanálise - representa essa ideia, usando a metáfora do iceberg como um modelo da mente, onde a parte que fica na superfície é o consciente, e a maior, a submersa, é o local relativo ao inconsciente. Essa metáfora pretende mostrar para as pessoas que, muitas vezes, há muito mais verdade, além do que os nossos olhos conseguem ver.

Há décadas, o inconsciente é foco de discussões a respeito de sua formação e conteúdo. Mas, as teorias de Freud ainda são referenciais importantes para os estudos do inconsciente. Freud já defendia que apenas uma pequena fração das nossas memórias encontra-se ativada, demarcando os limites da consciência. Todas as demais estão em estado latente, ou seja, escondidas. Com o avanço da neurociência, algumas ideias de Freud foram revistas e, na concepção contemporânea, o inconsciente é nada mais do que a soma de nossas memórias, é um depósito infinito de experiências de vida. Porém, a forma como as memórias serão  arquivadas, isto é, de forma positiva ou negativa, irá depender da história de vivência de cada um. 

Sem dúvida, os acontecimentos da vida de uma pessoa podem influenciar posteriormente seu comportamento e suas reações ao encarar a  própria vida, suas relações e seu posicionamento frente a elas porque, de alguma maneira, ficaram "arquivadas" em algum lugar do cérebro que, um dia, serão usadas, já que é simplesmente impossível preservar nossas memórias e conhecimentos apreendidos e ainda ter plena consciência deles. Ou seja, as informações do ambiente que vamos captando,  a todo momento através dos nossos sentidos ( audição, visão, olfato, paladar, tato, etc.) o cérebro leva para o nível inconsciente, onde tudo pode entrar no piloto automático. Isso quer dizer que durante o desenvolvimento infantil, tudo o que a criança absorver das primeiras experiências, dos incidentes felizes ou infelizes e condicionamentos transmitidos através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais ou cuidadores, no dia a dia, deixa gravações psíquicas e emocionais registradas para sempre em seu inconsciente. Isto é, a criança terá inscrito em si um padrão, características "formatadas" nessas relações fundamentais com os pais,  e na idade adulta, não se dá conta que está sendo influenciada por esses padrões, na  sua forma de pensar, de sentir e de agir. Porém, o problema são os padrões negativos e destrutivos aprendidos na relação com os pais ou cuidadores. Segundo Freud, as pessoas podem ter compulsão por repetir atitudes penosas e até buscar más situações. É a repetição do ruim, do desprazer. Ou seja, repetição dos padrões negativos e destrutivos que estão registrados no inconsciente. E o que é pior: a pessoa segue repetindo sempre os mesmos padrões negativos e destrutivos porque não consegue controlar este impulso, que volta a se repetir de forma súbita e sem controle. Infelizmente, são muitas as possibilidades de padrões negativos e destrutivos aprendidos na infância que podem criar dilemas inconscientes que acabam levando a pessoa a agir contra si mesma na idade adulta. 

Como podemos ver, o inconsciente não se manifesta na vida de cada pessoa apenas em lapsos, atos falhos ou sonhos. Na real, ele é uma força que está por trás de todas as nossas escolhas e repetições de comportamento. Entretanto, como foi dito anteriormente, a maneira como o inconsciente interfere em cada pessoa é relativo, já que leva em consideração a história de vivência de cada um, conforme as representações sociais introjetadas pela família em que está inserida. Então, não é por outra razão que o mesmo inconsciente que nos impulsiona a repetir comportamentos bem-sucedidos, leva-nos também a repetir, compulsivamente, atitudes que conduzem ao fracasso. Mas, o que fazer para deixar de repetir os padrões negativos e destrutivos que nos fazem sofrer? A melhor forma é  trabalhar - por meio da psicoterapia - as muitas questões  com as figuras de pai e mãe, traumas, conflitos, crenças, perdas  que foram inconscientizadas e trazê-las para a consciência, a fim de transformá-las em algo produtivo que possa contribuir com a pessoa, possibilitando, assim, o rompimento com os padrões negativos e destrutivos que conduzem a repetição do desprazer.



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sexta-feira, 27 de maio de 2016

OS PROBLEMAS DO MUNDO COMEÇAM EM CASA

Por Néa Tauil





A discussão acerca de que a maioria dos problemas do mundo começam em casa tem gerado polêmica. Mas, as evidências mostram que  uma criança não resolve, conscientemente, que irá crescer e ser um delinquente (que lesa outras pessoas), um pedófilo, um dependente químico descontrolado e autodestrutivo, um estuprador, um assassino em massa, uma prostituta, uma vítima que se deixa abusar pelos outros, ou uma pessoa perturbada por transtornos de ansiedade, depressão, dependência afetiva, impulsividade, culpa, insegurança, vergonha, pensamentos suicida, dificuldade de socialização e assim por diante. 

De fato, não se pode negar que, independente da forma da construção do núcleo familiar, seja ela tradicional ou moderna, permanece firme a importância do papel da família no desenvolvimento de cada indivíduo, pois ela é  uma instituição responsável por promover a educação dos filhos e influenciar o comportamento dos mesmos no meio social.  Mas, infelizmente nem todo ambiente familiar é um local seguro, onde  existe harmonia, afetos, proteção e relações saudáveis.

Muito já se foi dito sobre os pais serem modelos para os filhos adolescentes, e as investigações mais atuais confirmam que são modelos, não só nessa fase da vida do filho, mas desde o momento do seu nascimento. Sem dúvida, os pais além de transmitirem para os filhos  traços físicos, como estatura corporal, cor de pele, cor dos olhos, etc., também transmitem certos padrões de funcionamento da personalidade. Inclusive pode acontecer que, por herança assim como por imitação, alguns mais nitidamente "puxam" ao pai e outros são semelhantes à mãe e ainda alguns têm uma combinação mais equilibrada das características de ambos. Ou seja, além das  semelhanças físicas  herdadas, os filhos também podem herdar os aspectos mentais ou psíquicos de funcionamento dos pais, que serão adquiridos através de aprendizado ativo ou por imitação.

É nesse contexto que se observa, de forma nítida, que as tendências familiares influenciam na formação de seus membros, que irão absorver aquilo que é transmitido através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais, no dia a dia. Isso significa que podemos herdar dos nossos pais e repetir na vida adulta comportamentos bem-sucedidos ou  atitudes erradas que conduzem ao fracasso.

De acordo com Dorothy L. Nolte (2003), as crianças aprendem o que vivenciam. Se vivem ouvindo críticas, aprendem a condenar. Se convivem com a hostilidade, aprendem a brigar. Se as crianças vivem com medo, aprendem a ser medrosas. Se as crianças convivem com a pena, aprendem a ter pena de si mesmas. Se vivem sendo ridicularizadas, aprendem a ser tímidas. Se convivem com a inveja, aprendem a invejar. Se vivem com vergonha, aprendem a sentir culpa. Se vivem sendo incentivadas, aprendem a ter confiança em si mesmas. Se as crianças vivenciam a tolerância, aprendem a ser pacientes. Se vivenciam os elogios, aprendem a apreciar. Se vivenciam a aceitação, aprendem a amar. Se vivenciam a aprovação, aprendem a gostar de si mesmas. Se vivenciam o reconhecimento, aprendem que é bom ter um objetivo. Se as crianças vivem partilhando, aprendem o que é generosidade. Se convivem com a sinceridade, aprendem a veracidade. Se convivem com a equidade, aprendem o que é justiça. Se convivem com a bondade e a consideração, aprendem o que é o respeito. Se as crianças vivem com segurança, aprendem a ter confiança em si mesmas e naqueles que as cercam. Se as crianças convivem com a afabilidade e a amizade, aprendem que o mundo é um bom lugar para se viver. 

Como vimos, os pais são  espelhos para os filhos e as referências são certamente copiadas. Por isso, é preciso optar  por viver de forma consciente para rever as condições do ambiente onde cresceu, repensar os modelos parentais e como exerciam suas funções, a forma como foi educado, as crenças em que acreditou. Ou seja,  trabalhar mais sobre si mesmo para romper com a herança familiar dos padrões negativos e destrutivos que impedem a pessoa de fazer escolhas construtivas na vida adulta e ainda transmitir para futuras gerações. Talvez dessa forma, teremos menos pessoas nas prisões por corrupção, assassinato, estupro, menos gente vivendo nas ruas ou em centros de reabilitação para drogas, menos violência doméstica, crianças maltratadas, abandonadas é até mesmo crimes hediondos cometidos contra elas, em que os pais ocupam lugar de réus. Enfim, quem sabe teremos uma sociedade com menos filhos arruinados em sua existência por causa do comportamento inadequado dos pais.



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Referência:

Nolte, Dorothy; Harris Rachel. As crianças aprendem o que vivenciam.Rio de Janeiro: Sextante, 2003



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A RELAÇÃO DO CIÚME PATOLÓGICO COM A INFÂNCIA

Por Néa Tauil

É fato que todos nós cultivamos certo grau de ciúmes. Mas, esse sentimento,  em sua forma excessiva tornou-se um dos principais responsáveis pelo aumento da violência doméstica ( que envolve tanto a agressão física quanto à verbal) e, consequentemente, dos homicídios, que são noticiados diariamente.

As causas do ciúmes estão estritamente relacionadas à infância, como afirma Skoloff, (1954, apud, Alves, 2001, p.18) “o ciúme excessivo das pessoas adultas, de caráter neurótico, irracional, tem sua real origem nos traumas ciumentos da primeira infância”. Dessa forma, podemos afirmar que o ciúmes patológico está associado às vivências da infância.

Como se sabe, todos nós já fomos um recém-nascido, um bebê, uma criança, por isso, temos uma história única e específica de nossa infância e, a maioria das histórias infantis estão cheias de dores e dificuldades individuais  vividas  na infância e que registram, em cada um de nós, um padrão de funcionamento. Com isso, pode-se dizer que as gravações psíquicas e emocionais da nossa primeira relação com mãe ou pai estão registradas para sempre em nosso inconsciente. Ou seja, temos inscrito em nós um padrão - características "formatadas" nessas relações fundamentais com nossos pais   - de desejo, ciúme, ódio, aversão, amor, traição, mágoa, ressentimento, desconfiança, etc.  A forma de cada criança vivenciar essa relação influenciará toda sua estrutura psíquica, determinando, na vida adulta, como essa pessoa irá se posicionar frente ao amor e viver a fantasia de ser amada ou rejeitada.

Isso mostra que não é por acaso que o ciúme patológico - no contexto de um relacionamento amoroso -  compreende vários sentimentos perturbadores, desproporcionais e absurdos, os quais determinam comportamentos inaceitáveis ou bizarros. Esses sentimentos envolvem um medo desproporcional de perder o parceiro(a) para um(a) rival, desconfiança excessiva e infundada, gerando significativo prejuízo no relacionamento interpessoal. Considera-se que o ciúme patológico pode se mostrar em três casos: na forma de ciúme prevalente (que surge como um traço isolado), de ciúme obsessivo (quando a pessoa tem idéia fixa na traição e não consegue parar de pensar nisso) e de ciúme delirante (a convicção fantasiosa de que a outra pessoa é infiel, ainda que o fato não tenha qualquer nexo com a realidade). 

Segundo Bernardo Stamateas (2010), o ciumento tem medo de perder porque não tem a permissão interior de ter. É alguém que cresceu em um ambiente de violência e abandono, onde o pai ou a mãe sempre o desqualificavam, ou  o enganavam, enfim, em um lugar onde os pais não davam permissão, ou seja, lugar onde faltou validação. Diz ainda que  os pais são aqueles que devem bendizer os filhos, já que isso significará dar permissão para ter, viver e poder. Talvez isso explique porque uma das características mais comuns da pessoa excessivamente ciumenta é a baixa autoestima. Ela não acredita que tem valor e merece respeito. Acha que é alguém que a qualquer momento pode ser traído e abandonado. Somam-se ainda fatores como insegurança, medo, instabilidade e a própria desorganização pessoal.


É fato que crimes passionais, privações momentâneas de consciência, adesões afetivas inexplicáveis e violentas falam de várias reações a um buraco afetivo acontecido no começo da infância e que precisa ser preenchido de qualquer maneira, para que algum sentido aconteça ao afeto perdido inexoravelmente. Assim, podemos perceber, logo de início, que o ciúme não se trata de um sentimento voltado para o outro, mas sim voltado para si mesmo, ou seja, para quem o sente. Na verdade, o medo que alguém sente de perder o outro ou sua exclusividade sobre ele é um sentimento egocentrado, que pode muito bem ser associado à terrível sensação de ser excluído de uma relação (Santos, 2002, p.76)

Não há como negar que relacionamentos saudáveis consistem em respeitar e valorizar a individualidade, tanto do outro como a própria. Então, para deixar de fazer do parceiro um instrumento para curar suas dores infantis é essencial que a pessoa portadora de ciúme patológico tenha noção de que alguns problemas requerem mais que somente sua boa vontade de mudar, mas sim a ajuda de profissionais que estão aptos a tratá-lo. Felizmente há tratamento. O primeiro passo é reconhecer quando o ciúme está passando dos limites e buscar ajuda psicológica, pois como vimos anteriormente, o ciúme tem mais a ver com a relação consigo mesmo do que com quem se ama.  






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REFERÊNCIAS:

ALVES, Roque de Brito. Ciúme e Crime: Crime e Loucura. Rio de Janeiro: Forense, 2001.
STAMATEAS, Bernardo. Emoções Tóxicas. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010.
SANTOS, Eduardo Ferreira. Ciúme e Crime: Uma observação Preventiva. Psic, cerqueira césar,
v. 3, n.2, p.74 - 77, 2002.


quinta-feira, 6 de março de 2014

QUEM GOSTA DE SI, CUIDA-SE

Por Néa Tauil

Ao longo de mais de dezoito anos, como Psicoterapeuta, venho escutando e conversando com mulheres e homens, casais e grupos. E, embora possam ter sido impulsionados a procurar pelo tratamento psicológico, em primeiro lugar, pela depressão, medo ou ansiedade, decepção amorosa, dificuldade de relacionamento, sexualidade e assim por diante, logo a conversa mostra o quanto estão sentindo-se incomodados em relação a si mesmos o suficiente para desejarem cuidar-se e se compreender de modo novo, pois amar e cuidar de si próprio é a atitude oposta a tudo o que aprendemos a pensar e fazer. 

Fomos treinados na infância a acreditar que amor-próprio é egoísmo e que todo nosso amor e toda nossa estima deve ser focada no outro. Isso não é verdade, pois se não pudermos amar a nós mesmos, como seremos capazes de amar o outro? Para cuidar de nós, atender nossas necessidades e nossos desejos, devemos focar em nós para nos conhecer e isso não é egoísmo, é autoestima.

A autoestima é um sentimento que gera comportamentos direcionados ao eu proporcionando segurança, coragem, amor, força e capacidade. O nível de autoestima que uma pessoa manifesta influencia a saúde, o trabalho, as relações pessoais e profissionais. Amar a si mesmo é o primeiro passo para qualquer tipo de crescimento psicológico e melhora pessoal. Uma pessoa que gosta de si cuida-se, cria condições favoráveis para o bem-estar e a qualidade de vida. 

Para mim, particularmente, a psicoterapia beneficia as pessoas porque é um imprescindível instrumento para o resgate da autoestima. Como psicoterapeuta vejo da minha sala vidas individuais e familiares se transformando beneficiados pela psicoterapia. É sempre emocionante ver uma pessoa se re-situar  dentro de si mesma, encurtando a distância de seu próprio eu, desenvolvendo e explorando suas potencialidades criativas, intelectuais e emocionais, superando crenças infantis, abrindo-se para uma nova dimensão humana e trilhando confiante o caminho da maturidade através do resgate da autoestima.


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