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domingo, 13 de agosto de 2023

SOBRE SEXO PSICOLÓGICO

Por Néa Tauil

Não se pode negar que, em pleno século XXI, ainda existe, no Brasil, um alto índice de analfabetismo no que se refere à sexualidade, pois a educação sexual, oferecida para a população, é bastante superficial, limitada, imbuída de preconceitos, mitos e tabus. Assista ao vídeo e saiba mais!

sábado, 22 de agosto de 2015

MEU FILHO SERÁ HETERO, HOMO OU BISSEXUAL?

Por Néa Tauil



Do ponto de vista da sexualidade, a orientação sexual é um dos aspectos mais polêmicos, pois além de ser considerada por muitas pessoas como doença ou opção, quando o objeto de amor e desejo sexual é diferente da heterossexualidade, ao mesmo tempo, é alvo de julgamentos rápidos, baseados apenas pela aparência. De fato, as disparidades sociais são inevitáveis, porém não justifica, por falta de conhecimento, considerar a orientação sexual diferente da heterossexual como doença ou opção e ainda pensar que é possível determinar a  orientação sexual dos outros com base em aparências.


Afinal, do que se trata orientação sexual? A orientação sexual é um dos aspectos da sexualidade  que aponta para o modo como as pessoas sentem atração física e/ ou afetiva por outras pessoas. Nota-se que  a atração não diz respeito apenas ao aspecto sexual, mas também envolve questões sentimentais, já que a sexualidade não está relacionada apenas ao coito, mas também ao afeto, autoestima, autoconfiança, respeito, saúde, etc. É por isso que o termo adequado para nos referir às categorias da orientação sexual é homoafetividade, heteroafetividade, biafetivo , ao invés de homossexualidade, heterossexualidade e  bissexualidade.

O fato é que a orientação sexual, além da heterossexual ( atração afetivo-sexual pelo sexo oposto) abrange outras categorias na expressão do desejo afetivo-sexual, como é o caso da homossexualidade ( atração afetivo-sexual pelo mesmo sexo), bissexualidade ( atração afetivo-sexual por pessoas de ambos os sexos, feminino e masculino). Podemos observar que a manifestação da sexualidade não é fixa e certamente  terá outros significados de acordo com as constantes evoluções das sociedades e das culturas, que interagem na construção da identidade e subjetividade individual. Inclusive, atualmente, alguns especialistas consideram como categorias da orientação sexual, a assexualidade e o pansexualismo. 

Na assexualidade, os indivíduos  não sentem atração sexual, seja pelo sexo oposto ou pelo sexo igual. Têm desejos por relacionamentos românticos, mas não querem que essas relações incluem atividade sexual. Já a pansexualidade,  é caracterizada pela atração sexual, romântica e/ou emocional, independentemente da identidade de gênero do outro. Inclui, portanto, pessoas que não se encaixam na binária de gênero homem/mulher. Seja como for, a verdade é que o objeto de amor e desejo sexual pode ser heterossexual, homossexual, bissexual e outros. 


Com base no que foi dito,  fica evidente que a orientação sexual não é uma escolha, ninguém decide ser heterossexual, homossexual ou bissexual, por isso que amar e desejar sexualmente outra pessoa, fugindo dos padrões de comportamento socialmente definidos para o homem e a mulher, não é algo que a pessoa escolhe, muito pelo contrário, quem é que em plena consciência iria optar em expressar a sua sexualidade de maneira diferente daquela que não preenche os requisitos pré-estabelecidos pela cultura a qual se está inserido? Dessa forma, o termo orientação sexual é considerado mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual, porque a opção indica que a pessoa teria escolhido a sua forma de desejo.  Por falta de conhecimento sobre sexualidade, muitos de nós colocamos opção sexual no lugar de orientação sexual, por isso,  podem até nos confundir, mas não nos dá o direito de tentar adivinhar se alguém dorme com homens ou com mulheres, mas mesmo assim, muitos não admitem a derrota em qualquer tentativa de prever a orientação sexual dos outros fazendo julgamentos rápidos com base em aparências. A realidade nos mostra que não podemos afirmar nada com base em aparências, especialmente sobre a orientação sexual dos outros

Não há como negar que até mesmo psicoterapeutas experientes se equivocam na tentativa de prever qual é a orientação sexual do paciente. É grande o número de pessoas que aderem ao estereótipo de que um homem com traços afeminados é gay e uma mulher masculinizada é lésbica. É bom destacar que, homens com orientação sexual heterossexual, podem estar identificados com os traços que caracterizam o gênero feminino, tornando-os afeminados,  mas eles se sentem masculino, desejam e amam mulheres. A recíproca também vale para o sexo feminino, ou seja, mulheres com orientação sexual heterossexual podem estar identificadas com os traços que caracterizam o gênero masculino, serem masculinizadas, não terem o corpo feminino perfeito, mas se sentirem mulher e desejar homens como objeto de amor e desejo sexual. O mesmo ocorre com homens e mulheres com orientação sexual homossexual. Isso significa que homens homossexuais podem estar identificados com traços que caracterizam o gênero masculino, serem másculos, viris, mas desejam se relacionar afetiva e sexualmente com outro homem. Com mulheres lésbicas é assim também. Sentem-se mulheres, comportam-se de maneira feminina, mas desejam se relacionar afetiva e sexualmente com outra mulher. 

O importante a registrar é que as pessoas podem ser ou se comportar  de diferentes maneiras, por isso mesmo devem ser respeitadas e não julgadas. Considere o seguinte exemplo, quando procuramos um profissional da área da saúde para nos ajudar a aliviar uma dor física ou psíquica, não perguntamos sobre sua orientação   sexual, porque quando a dor física ou psíquica surge, gerando sofrimento, não importa qual é a expressão da sexualidade do nosso médico, psicólogo, dentista, psiquiatra, nutricionista, fisioterapeuta, enfermeiro etc., o que importa nessa hora, é o restabelecimento da nossa saúde, e não o nosso preconceito. Podemos até ser homofóbicos e o nosso "doutor" pode ser um homossexual e nem cogitamos essa possibilidade porque o nosso "doutor" não apresenta traços afeminados.  O mesmo pode acontecer na igreja que frequentamos em busca de alívio e consolo.  Normalmente nem se questiona a orientação sexual do padre ou do pastor que tanto confiamos, mas as manchetes dos jornais mostram que eles também possuem sexualidade, portanto sentem atração física e/ ou afetiva por outras pessoas. A realidade é que preconceitos, estereótipos negativos e discriminação estão profundamente arraigados em nosso sistema de valores e padrões de comportamento e nem percebemos o quanto nos enganamos, achando que podemos diagnosticar a vida sexual da outra pessoa com base em aparências.

Contrariando o que muitos pensam, a orientação sexual não se define apenas por traços característicos dos aspectos biológicos. Ela deve ser pensada como o resultado de uma complexa interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Os órgãos sexuais característicos de cada gênero não garante que iremos nos tornar psicologicamente meninas e mulheres, meninos e homens. O fato é que independente da presença dos órgãos sexuais masculinos ou femininos, o que vai determinar se a pessoa se sente homem ou mulher é o seu psiquismo e não a sua genitália. 

Depois de tudo que foi visto, pode-se constatar que a orientação sexual é uma realidade que precisa ser compreendida e aceita para que possamos deixar de nos enganar e julgar com base em aparências, acreditando que a única expressão da sexualidade que existe é a heterossexual e as outras formas de expressão são doenças. Na verdade, aqueles que não respeitam a diversidade na manifestação da sexualidade e ainda se acham no direito de condenar pessoas por causa de sua forma de viver ou de sua condição que difere da heterossexualidade, são pessoas em que suas mentes estão presas a um sistema de falsas crendices, preconceitos e tabus, pois é ignorância pensar que a heterossexualidade é a única manifestação do desejo afetivo-sexual, interpretando as demais manifestações como doenças e dignas de sanção moral. É importante dissociar a orientação sexual de doença, porque se o homossexual for considerado um doente pela forma como expressa a sua sexualidade, o heterossexual, o bissexual, etc também devem ser, já que todas fazem parte das categorias da orientação sexual e, como dito anteriormente, a orientação sexual é apenas o modo como as pessoas sentem atração física e/ou afetiva por outras  pessoas. Em última análise, como podemos observar, a orientação sexual exige determinado objeto para a sua plena satisfação sexual, romântica e/ou emocional, portanto o relacionamento heteroafetivo, homoafetivo, biafetivo, etc são apenas maneiras diferentes e não erradas de vivenciar a vida amorosa e sexual. Cabe, então, a cada um de nós refletir e questionar a própria sexualidade e não a dos outros, pois esse é o caminho para desconstrução de preconceitos, mitos e tabus que só servem para conduzir  à culpa, ao castigo, à expiação, às histórias de crime e dor. 


Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)
Psicoterapia Beneficia as Pessoas- http://psicologaneatauil.blogspot.com

quarta-feira, 24 de junho de 2015

ENTREVISTA PARA DOCUMENTÁRIO - ESPM-RS


Entrevista concedida ao Documentário ¨AS DIFERENTES FORMAS DE PRECONCEITO CONTRA A COMUNIDADE LGBT¨, autoria de Luiza Buzzacaro Barcellos e Camila Oliveira para a disciplina Rádio 2, do curso de Jornalismo, da Escola Superior de Propaganda e Marketing, de Porto Alegre - ESPM-RS.


Luiza Buzzacaro Barcellos - Que tipo de dificuldades psicológicas, pessoas que não estejam de acordo com uma lógica heteronormativa, podem passar para aceitarem sua orientação sexual?

Néa Tauil - A dificuldade em aceitar a orientação sexual diferente da heterossexual depende da cultura, sendo mais difícil em sociedades mais conservadoras e mais fácil em sociedades mais liberais. Logo em sociedades conservadoras quase a totalidade da comunidade LGBT ( lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros) sofre durante o processo de aceitação porque na lógica heteronormativa há uma gama de proibições que acabam dando origem a discriminações, preconceitos e, consequentemente, homofobia, causadores de sofrimento, adoecimento e morte. É fato que vivenciar tratamentos negativos da sociedade relaciona-se com um maior número de problemas psicológicos, pois crescer numa cultura que frequentemente transmite mitos e esteriótipos, por vezes muitos negativos, são assimilados por todos nós, e isso quando choca com a identidade homossexual, pode corromper fortemente o sentido de valor pessoal e de autoestima, por exemplo: ¨eu não presto enquanto homossexual¨, ¨não interesso a ninguém¨, ¨vou beber para esquecer¨, etc. Assim, essas atitudes e sentimentos negativos, internalizados no homossexual, podem estar relacionadas com depressão, alcoolismo, abuso de substância, ansiedade, distúrbios alimentares, ideias suicidas e suicídio. Mas não podemos generalizar, pois há muitas pessoas da comunidade LGBT que têm vidas extremamente felizes, saudáveis e produtivas. 

Luiza Buzzacaro Barcellos - Ser gay ou transexual é uma opção ou a pessoa nasce assim?

Néa Tauil - Não é uma opção e nem se nasce gay ou transexual. Ninguém decide ser heterossexual, homossexual, bissexual ou transexual. Amar e desejar outra pessoa fugindo dos padrões de comportamento socialmente definidos para o homem e a mulher, não é algo que a pessoa escolhe, muito pelo contrário, quem é que em plena consciência iria optar em expressar a sua sexualidade de maneira diferente daquela que não preenche os requisitos pré- estabelecidos pela cultura a qual se está inserido? O fato é que desde pequenos somos educados a seguir rigidamente certos padrões impostos pela sociedade no que diz respeito a nossa sexualidade. Ao nascer, somos registrados e recebemos uma certidão definitiva. Há uma divisão comportamental, da qual meninos devem agir de uma maneira e meninas de outra. Esse modelo de educação acaba semeando os primeiros frutos da heteronormatividade, que por sua vez acaba limitando a liberdade do outro de viver abertamente a sua sexualidade.

Luiza Buzzacaro Barcellos - Existem processos de descobrimento e aceitação ou isso é apenas um mito?

Néa Tauil - Sim, existe processo de descobrimento e aceitação e não é fácil, pois é cercado pelas muralhas do preconceito, do pecado, do medo, do achar que ser diferente não é certo. Apesar da experiência sexual ter significados diferentes para cada indivíduo, podemos dizer que o processo de descobrimento e aceitação envolve quatro momentos: a pessoa se ¨sente¨ diferente, começa a ¨dar sentido sexual¨a essa diferença, se ¨reconhece¨ como homossexual, e ¨aceita¨ esse modo de vida. Na minha opinião, precisamos preparar adultos para aceitar e/ou conviver com o ¨diferente¨, pois a diversidade sexual é positiva para a sociedade.

Luiza Buzzacaro Barcellos - Quais as diferenças dessas questões quando a pessoa é transexual?

Néa Tauil - Não vejo diferença com relação aos processos estigmatizantes e discriminatórios para a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros). Porém, destaco a existência de discriminação institucional em relação à empregabilidade do referido público, em razão da orientação sexual. Em especial, quando se trata dos que mudaram de sexo - os chamados transgêneros. Há muitas pessoas capazes de assumirem papeis importantes no mercado de trabalho, mas que, em razão de sua orientação sexual, não conseguem emprego. Muitas vezes, se conseguem, não têm a mesma oportunidade de ascensão na carreira.

Luiza Buzzacaro Barcellos - Quais são os tipos de danos psicológicos que as pessoas sofrem com a violência simbólica, ou seja, o preconceito diário que essas pessoas enfrentam (a comunidade LGBT em geral)?

Néa Tauil - É o que falei anteriormente, o baixo nível de autoestima é um dos danos psicológicos que acomete quem sofre ou sofreu com os processos estigmatizantes e discriminatórios. Esse tipo de violência é uma maneira brutal de atingir a autoestima do outro e contribui para a instalação do adoecimento, pois autoestima e saúde estão diretamente relacionadas. Geralmente, muitos pacientes chegam no consultório para tratar de algum transtorno decorrente desses processos estigmatizantes e discriminatórios, como transtorno de ansiedade, entre eles: (fobia social, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno do pânico, transtorno de estresse pós-traumático, etc) depressão, problemas de relacionamento, sentimentos negativos, distúrbio alimentar, dificuldade de concentração, automutilação, tentativa de suicídio, etc.

Luiza Buzzacaro Barcellos  - Por que é tão difícil para a sociedade em geral respeitar e aceitar a sexualidade dos homossexuais, bissexuais e transexuais?

Néa Tauil - Porque em pleno século XXI, ainda existe, no Brasil, um alto índice de analfabetismo no que se refere à sexualidade, pois a educação sexual oferecida para a população, é bastante superficial, limitada, imbuída de preconceitos, mitos e tabus. No meu blog, há um artigo intitulado ¨Analfabetismo sexual¨, ele aborda esse assunto, mostrando que a educação sexual no Brasil precisa ser repensada, pois é ignorância pensar que a heterossexualidade é a única manifestação do desejo afetivo-sexual, interpretando as demais manifestações como doenças e dignas de sanção moral. Também realizei uma pesquisa que foi publicada na Revista PSIQUE, intitulada ¨A Abordagem da sexualidade na Prática Psicoterápica¨, mostrando que distorções, mitos, preconceitos, causados principalmente por falta de conhecimento, pode prejudicar a atuação do profissional da saúde para abordar, examinar e lidar com a sexualidade do paciente. Na verdade, o conhecimento mais profundo de mitos, tabus e da realidade acerca de nossa própria sexualidade pode contribuir para a diminuição de posturas inadequadas diante do tema.

Luiza Buzzacaro Barcellos - Há algum fator presente na infância ou na adolescência, por exemplo, que influencie a orientação sexual do indivíduo?

Néa Tauil - Sim, há muitos fatores que influenciam a orientação sexual do indivíduo. Na identificação do sexo ao nascer, só se considera a genitália externa (macho ou fêmea). Contrariando o que muitos pensam, a orientação sexual não se define apenas por traços característicos dos aspectos biológicos, pois ela é o modo como as pessoas sentem atração física e/ou afetiva por outras pessoas. A orientação sexual deve ser pensada como resultado de uma complexa interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Por isso, os órgãos sexuais  característicos de cada gênero não garante que iremos nos tornar psicologicamente meninas e mulheres, meninos e homens. O fato é que independente da presença dos órgãos sexuais masculinos ou femininos, o que vai determinar se a pessoa se sente homem ou mulher é o seu psiquismo, e não a sua genitália.

Luiza Buzzacaro Barcellos - Eventualmente, existem preconceitos dentro da própria comunidade LGBT. Por que isso acontece?

Néa Tauil - Sim, existe. De acordo com a cultura da qual estamos inseridos, em proporções maiores ou menores, todos nós, durante nosso desenvolvimento infantil, aprendemos a acreditar em mitos e esteriótipos que são repassados de geração em geração. Penso que essa é a razão pela qual a humanidade é cheia de preconceitos e a comunidade LGBT é uma grande massa que atua, consome, pensa, trabalha e que não é diferente de nenhum outro cidadão. Logo, no meio LGBT há muitas pessoas preconceituosas que super valorizam alguns esteriótipos e outras não. Por exemplo: Se você é gay, você tem que ser másculo. Se for lésbica, você tem que ser feminina. Se você tem essa característica, é respeitado, desejado, além de uma maior facilidade de ter amigos. Entretanto, se for o gay afeminado e se a lésbica for máscula, a rejeição já começa no próprio meio.Claro que um grupo que sofre tanto com o preconceito deveria ser mais tolerante e menos ¨rotulista¨, mas como disse anteriormente, independente da orientação sexual, a humanidade é cheia de preconceitos. 










quarta-feira, 3 de abril de 2013

ESTATUTO DA DIVERSIDADE SEXUAL

Por Néa Tauil


Em  O mal-estar na Civilização(1930), Freud menciona que ¨o sofrimento nos ameaça a partir de três direções: de nosso próprio corpo, condenado à decadência e à dissolução, e que nem mesmo pode dispensar o sofrimento e a ansiedade como sinais de advertência; do mundo externo, que pode voltar-se contra nós com forças de destruição esmagadoras e impiedosas; e, finalmente, de nossos relacionamentos com os outros homens.¨

Para Freud, o sofrimento mais penoso são os nossos relacionamentos. Nota-se que a discriminação em todas as suas formas e a predominância com base na orientação sexual e na identidade de gênero ratifica o pensamento freudiano.

O primeiro passo em outra direção talvez seja homens e mulheres de consciência, rejeitar a discriminação reivindicando tratamento igualitário a todos os cidadãos, independente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Quando compreendemos por que apontamos o dedo, podemos começar a nos libertar de nossas percepções distorcidas e julgamentos destrutívos a respeito dos outros. Vamos juntos fazer democracia assinando a petição pública do ESTATUTO DA DIVERSIDADE SEXUAL. Acesse o site oficial http://www.estatutodiversidadesexual.com.br e assine essa ideia.



Referência: Freud S.(1930). O mal-estar na civilização. In: Obras psicológicas completas.
Edição Standard Brasileira. Vol.XXI Rio de Janeiro: Imago 
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quinta-feira, 14 de março de 2013

¨CURA GAY¨

Por Néa Tauil

Em pleno século XXI, toda essa discussão sobre ¨cura gay¨ é uma grave ameaça à saúde e ao bem - estar das pessoas afetadas. Quando se fala na cura do câncer, pensa-se na maneira de extirpar uma doença. Pois, é nessa acepção do verbo curar que ele é usado na expressão ¨cura gay¨: extirpar de uma pessoa a ¨doença¨ de ter desejo sexual orientado para o mesmo sexo. Isso agride o conhecimento científico que rege a Psicologia e a Medicina, desde que se convencionou internacionalmente que a orientação homossexual não constitui uma doença.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) condena tratamentos para ¨curar¨ homossexualidade. Em comunicado divulgado no dia 17 de maio de 2012, Dia Internacional contra a Homofobia, a Diretora da OPAS/OMS, Mirta Roses Periago afirmou que ¨a homossexualidade não é um transtorno nem requer cura. Em consequência, não existe indicação médica para a mudança de orientação sexual¨.
O comunicado destaca que há consenso profissional de que homossexualidade é uma variação natural da sexualidade humana e não pode ser considerado como condição patológica. Contudo, vários órgãos das Nações Unidas constataram a existência de ¨clínicas¨ e ¨terapeutas¨ que promovem tratamentos que pretendem mudar a orientação sexual de não heterossexuais. Não há estudos científicos que demonstrem eficiência de esforços nesse sentido.

Entretanto, há muitos testemunhos sobre graves danos à saúde mental e física que tais serviços podem causar. A repressão da orientação sexual vem sendo associada a sentimentos de culpa, vergonha, depressão, ansiedade e até mesmo suicídio. Como agravante, há um crescente número de relatos de tratamentos degradantes e de violência física e sexual como parte da  ¨terapia¨, geralmente oferecida ilegalmente.

O documento faz um apelo para que governos, instituições acadêmicas, associações profissionais e imprensa exponham essas práticas e promovam o respeito à diversidade. ¨As práticas devem ser denunciadas e sujeitas as sanções dentro da legislação nacional". 

Na verdade, a orientação sexual é uma realidade que precisa ser compreendida e aceita para que possamos deixar de nos enganar e julgar com base em aparências, acreditando que a única expressão da sexualidade que existe é a heterossexual e as outras formas de expressão são doenças. Aqueles que não respeitam a diversidade na manifestação da sexualidade e ainda se acham no direito de condenar pessoas por causa de sua forma de viver ou de sua condição que difere da heterossexualidade, são pessoas em que suas mentes estão presas a um sistema de falsas crendices, preconceitos e tabus, pois é ignorância pensar que a heterossexualidade é a única manifestação do desejo afetivo-sexual, interpretando as demais manifestações como doenças e dignas de sanção moral. Nesse sentido, são os propositores de ¨cura gay¨ que necessitam de tratamento psicológico, pois quando se julga alguém, nunca se pensa de fato sobre si mesmo, e o que se vê são pessoas projetando inconscientemente  - nos outros - atributos pessoais, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie. Isto é, ao invés de a pessoa reconhecer o que desgosta em si, ela projeta em outra pessoa, sem perceber que tudo o que  gosta ou detesta no outro é porque tem em si. 

Sem dúvida, ao invés de pretender impor padrões de comportamento, excluindo a singularidade subjetiva inerente ao ser humano, reforçando preconceitos e a exclusão social, o melhor caminho é aceitar as diferenças e entender que existem várias maneiras de amar e, portanto, diferentes variáveis sexuais. Cabe, então, a cada um de nós refletir e questionar a própria sexualidade e não a dos outros, pois qualquer tratamento que diz curar homossexuais é infundado, já que nenhum profissional tem ferramentas para mudar a orientação sexual de uma pessoa





Fonte: Comunicado ONUBR - Nações Unidas no Brasil
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contato: neatauil@gmail.com