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domingo, 30 de abril de 2017

PRECONCEITO SE APRENDE


Por Néa Tauil



Em termos gerais, os seres humanos tendem a desenvolver facilmente preconceitos no que se refere a tudo o que seja diferente e variante em relação a si mesmo ou em relação a grupos ao qual pertencem.  Mas é bom lembrar que o preconceito e a intolerância envolvem sempre um considerável grau de ignorância, podendo chegar à violência. Na mídia diárianão faltam exemplos de que muitos seres humanos são capazes de agir com extrema violênciaquando não aprendem a desenvolver respeito e tolerância com as diversidades. Não foi por acaso que Nelson Mandela disse: " Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta."
Na realidade, o tipo de educação familiar que uma pessoa recebe, na infância, é fator determinante no comportamento e, consequentemente, na qualidade de vida dela, quando adulta. De fato, uma criança que nasce, cresce e desenvolve-se num ambiente onde ela é respeitada, tratada com amor, consideração e orientação honesta para viver no mundo, tem tendência  na idade adulta a sentir prazer na vida e, não a necessidade de matar, enganar, mentir, ferir a si mesma e os outros, simplesmente porque não terá como tarefa inconsciente  reprimir experiências de crueldade. Porém, uma criança que foi tratada com agressão, castigo, humilhação, que foi manipulada, negligenciada, enganada, explorada, etc. terá como tarefa inconsciente reprimir as experiências traumáticas geradas pelos abusos, que embora permaneçam inconscientes, vão encontrar expressão em seus atos destrutivos contra outras pessoas ou contra a si mesma.

Com certeza, aprende-se a amar e a odiar na família, de onde também provém o preconceito. Nenhum ser humano, ao nascer, traz consigo o racismo, a homofobia, a psicofobia, a xenofobia, a transfobia, a obesofobia, a gerontofobia e muitos outros tipos de preconceito. Na verdade, o processo de construção das ideias preconceituosas acontece durante o desenvolvimento infantil, pois nascemos inconclusos, do ponto de vista emocional, cognitivo, físico e social. Após o nascimento, iremos precisar de alguém que cuide de nós, que nos dê apoio e suporte para aprender, para superar desafios que são apresentados a cada instante, como estímulos para continuar nosso desenvolvimento. Seja como for,  vamos amadurecendo, guiados pelos nossos pais ou cuidadores, que são nossos modelos, por isso, os preconceitos que eles  não superaram serão  repassados para nós.
Isso quer dizer que os preconceitos carregados por nós não passam de opiniões de outras pessoas que aceitamos e incorporamos. Ou seja, durante o desenvolvimento infantil, tudo o que a criança absorver das primeiras experiências, dos incidentes felizes ou infelizes e condicionamentos transmitidos através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais ou cuidadores, no dia a dia, deixa gravações psíquicas e emocionais registradas para sempre em seu inconsciente. Isto é, a criança terá inscrito - em si - um padrão, características "formatadas," nessas relações fundamentais com os pais,  e na idade adulta, não se dá conta que está sendo influenciada por esses padrões, na  sua forma de pensar, de sentir e de agir. Por exemplo: quanto ao homofóbico, o primeiro problema é a própria cultura familiar de onde ele provém. Essa família é tão preconceituosa quanto ele. Ele aprendeu a ser homofóbico dentro de casa. Isso significa que na idade adulta as reações dos pais provavelmente serão de apoio ao comportamento e às ideias do filho com relação à homossexualidade. Nesse contexto, os compromissos com valores morais, a tolerância com o diferente, o elo com a justiça, o sentimento de solidariedade e a compaixão - que deveriam ser firmados na infância e adolescência - dão lugar à fenômenos como o Bullying.

Normalmente, quando se julga alguém, nunca se pensa de fato sobre si mesmo, e o que se vê são pessoas projetando inconscientemente  - nos outros - atributos pessoais, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie. Isto é, ao invés de a pessoa reconhecer o que desgosta em si, ela projeta em outra pessoa, sem perceber que tudo o que  gosta ou detesta no outro é porque tem em si. É o que provavelmente acontece com  o homofóbico. Ele tem alguma percepção inconsciente de sua própria homossexualidade. Então, agride o homossexual que encontra na rua, porque - de certo modo - está atacando e tentando destruir a própria homossexualidade. 


Sem dúvida, padrões negativos  arquivados no inconsciente podem  surgir a qualquer momento e influenciar várias ações, levando a pessoa a agir contra si mesma e contra outras pessoas. Felizmente, há tratamento. O primeiro passo é optar  por viver de forma consciente e buscar ajuda psicológica para   investir em autoconhecimento, já que conhecer a si próprio aumenta a autoestima, que por sua vez, faz a pessoa se sentir mais segura e confiante, para se reconciliar consigo e abrir-se às mudanças que são necessárias para respeitar e valorizar a individualidade tanto do outro quanto a própria, pois somente quando estamos mentindo para nós mesmos e odiando algum  aspecto que nos pertence é que nos tornamos emocionalmente estressados com a vida de outra pessoa.


Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)
Psicoterapia Beneficia as Pessoas - http://psicologaneatauil.blogspot.com
Contato: neatauil@gmail.com