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sexta-feira, 27 de maio de 2016

OS PROBLEMAS DO MUNDO COMEÇAM EM CASA

Por Néa Tauil





A discussão acerca de que a maioria dos problemas do mundo começam em casa tem gerado polêmica. Mas, as evidências mostram que  uma criança não resolve, conscientemente, que irá crescer e ser um delinquente (que lesa outras pessoas), um pedófilo, um dependente químico descontrolado e autodestrutivo, um estuprador, um assassino em massa, uma prostituta, uma vítima que se deixa abusar pelos outros, ou uma pessoa perturbada por transtornos de ansiedade, depressão, dependência afetiva, impulsividade, culpa, insegurança, vergonha, pensamentos suicida, dificuldade de socialização e assim por diante. 

De fato, não se pode negar que, independente da forma da construção do núcleo familiar, seja ela tradicional ou moderna, permanece firme a importância do papel da família no desenvolvimento de cada indivíduo, pois ela é  uma instituição responsável por promover a educação dos filhos e influenciar o comportamento dos mesmos no meio social.  Mas, infelizmente nem todo ambiente familiar é um local seguro, onde  existe harmonia, afetos, proteção e relações saudáveis.

Muito já se foi dito sobre os pais serem modelos para os filhos adolescentes, e as investigações mais atuais confirmam que são modelos, não só nessa fase da vida do filho, mas desde o momento do seu nascimento. Sem dúvida, os pais além de transmitirem para os filhos  traços físicos, como estatura corporal, cor de pele, cor dos olhos, etc., também transmitem certos padrões de funcionamento da personalidade. Inclusive pode acontecer que, por herança assim como por imitação, alguns mais nitidamente "puxam" ao pai e outros são semelhantes à mãe e ainda alguns têm uma combinação mais equilibrada das características de ambos. Ou seja, além das  semelhanças físicas  herdadas, os filhos também podem herdar os aspectos mentais ou psíquicos de funcionamento dos pais, que serão adquiridos através de aprendizado ativo ou por imitação.

É nesse contexto que se observa, de forma nítida, que as tendências familiares influenciam na formação de seus membros, que irão absorver aquilo que é transmitido através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais, no dia a dia. Isso significa que podemos herdar dos nossos pais e repetir na vida adulta comportamentos bem-sucedidos ou  atitudes erradas que conduzem ao fracasso.

De acordo com Dorothy L. Nolte (2003), as crianças aprendem o que vivenciam. Se vivem ouvindo críticas, aprendem a condenar. Se convivem com a hostilidade, aprendem a brigar. Se as crianças vivem com medo, aprendem a ser medrosas. Se as crianças convivem com a pena, aprendem a ter pena de si mesmas. Se vivem sendo ridicularizadas, aprendem a ser tímidas. Se convivem com a inveja, aprendem a invejar. Se vivem com vergonha, aprendem a sentir culpa. Se vivem sendo incentivadas, aprendem a ter confiança em si mesmas. Se as crianças vivenciam a tolerância, aprendem a ser pacientes. Se vivenciam os elogios, aprendem a apreciar. Se vivenciam a aceitação, aprendem a amar. Se vivenciam a aprovação, aprendem a gostar de si mesmas. Se vivenciam o reconhecimento, aprendem que é bom ter um objetivo. Se as crianças vivem partilhando, aprendem o que é generosidade. Se convivem com a sinceridade, aprendem a veracidade. Se convivem com a equidade, aprendem o que é justiça. Se convivem com a bondade e a consideração, aprendem o que é o respeito. Se as crianças vivem com segurança, aprendem a ter confiança em si mesmas e naqueles que as cercam. Se as crianças convivem com a afabilidade e a amizade, aprendem que o mundo é um bom lugar para se viver. 

Como vimos, os pais são  espelhos para os filhos e as referências são certamente copiadas. Por isso, é preciso optar  por viver de forma consciente para rever as condições do ambiente onde cresceu, repensar os modelos parentais e como exerciam suas funções, a forma como foi educado, as crenças em que acreditou. Ou seja,  trabalhar mais sobre si mesmo para romper com a herança familiar dos padrões negativos e destrutivos que impedem a pessoa de fazer escolhas construtivas na vida adulta e ainda transmitir para futuras gerações. Talvez dessa forma, teremos menos pessoas nas prisões por corrupção, assassinato, estupro, menos gente vivendo nas ruas ou em centros de reabilitação para drogas, menos violência doméstica, crianças maltratadas, abandonadas é até mesmo crimes hediondos cometidos contra elas, em que os pais ocupam lugar de réus. Enfim, quem sabe teremos uma sociedade com menos filhos arruinados em sua existência por causa do comportamento inadequado dos pais.



Todos os direitos reservados a Julcinéa Maria Tauil (Néa Tauil)
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contato: neatauil@gmail.com

Referência:

Nolte, Dorothy; Harris Rachel. As crianças aprendem o que vivenciam.Rio de Janeiro: Sextante, 2003