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terça-feira, 30 de setembro de 2014

NÃO PRECISAMOS DE CULPA

Néa Tauil

Está comprovado, pela escuta psicoterapêutica, que o número de pessoas que vivem atormentadas pelo sentimento de culpa é maior do que se pode imaginar. Afinal, o que vem a ser culpa? Culpa é o sentimento de ser indigno, inferior, mau, cheio de remorso, ruim. Ela atua para nos deixar mal com nós mesmos, fazendo pensar que não prestamos, que precisamos ser punidos, controlados ou reprimidos. Na culpa, tornamo-nos pessoas autocensuráveis, sem coragem, sentimo-nos impotentes e sem força para mudar o que não mais queremos. A culpa é altamente destrutiva, deixa-nos doentes, sem capacidade de relaxamento, de domínio, de prazer de viver, enfim, impede-nos de desfrutarmos da vida. 

Sabe-se que a culpa é uma reação emocional aprendida nas relações precoces estabelecidas com os nossos pais ou cuidadores, durante as fases do nosso desenvolvimento infantil. Há muitas situações provocadoras de culpa, as mais frequentes são as estratégias de culpabilização que os pais usam para impor limites e a maneira como tratam seus filhos frente a um erro cometido. Faz-se relevante destacar que o aprendizado se dá a cada instante, nas trocas e no modo como a criança é estimulada e as consequências ficam evidenciadas já na adolescência e, depois ao longo da vida adulta, pois os modos de interação da criança com o ambiente e vice-versa deixam registros que marcam positiva e negativamente cada fase. Por exemplo: se aprendemos que devemos receber elogios quando acertamos e nos sentir culpados e ser castigados sempre que erramos, corremos o risco de passar a vida toda tentando não errar para não sentirmos culpa e isto é impossível porque sempre haverá erros em nossa vida ou então passaremos a vida inteira nos sentindo culpados porque sempre erramos. 

A verdade é que herdamos uma enorme quantidade de crenças, normas, restrições morais com suas proibições e aprovações, conforme os valores, limites, ideias e costumes impostos tanto pela família quanto pela cultura, tornando-se assim verdadeiros produtores de culpa, mesmo não estando relacionados com a transgressão. Sabemos que há normas que devemos cumprir porque são importantes para o bom funcionamento social. Mas também sabemos que há normas que têm como base crenças rígidas, inflexíveis que quase sempre impedem possibilidades de diálogo, reflexão e discernimento, dificultando o esclarecimento e o amadurecimento emocional, servindo apenas para nos classificar negativamente. Não há bom senso, o que vale para um passa a valer para todos. As diferenças individuais, as experiências, o nível de consciência e o sentimento individual não contam. Isto é, são determinados alguns padrões de comportamento e como devem ser nossas ações com relação a eles, se procedermos de forma diferente, além de sermos castigados, deveremos carregar a culpa. Ou seja, há um modelo ideal a ser cumprido, mas acontece que esse modelo ideal sempre faz exigências impossíveis e perfeccionistas e quando percebemos, por nosso julgamento moral, que ele não foi realizado, sentimos raiva de nós, porque não somos o que queremos ser, porque não somos perfeitos, os melhores, os mais capazes do que somos, enfim, porque não somos o modelo ideal de pessoa e por não termos atendido à expectativa de alguém a nosso respeito. Além de sentir raiva de nós, também sentimos raiva do outro que nos mostra a nossa falha e nos cobra. Sabe-se que a raiva é uma emoção que não é bem aceita socialmente, por isso a tendência é reprimi-la. Mas a repressão da raiva é algo mais perigoso do que parece, pois sendo reprimida, volta-se para dentro de nós mesmos, transformando-se em culpa. A raiva reprimida é o ponto comum entre a maioria dos que padecem por sentirem culpa.

Alguns estudos têm mostrado que a culpa é um dos maiores produtores de variados tipos de doenças. Portanto, não precisamos de culpa, precisamos de responsabilidade porque responsabilidade é saber o que fazer e o que não fazer, ou seja, precisamos aprender a ser responsáveis por nossas ações e escolhas. Com certeza, temos uma porção de culpas, mas o bom é saber que do mesmo modo que aprendemos a ter culpa, podemos viver sem ela e, para isso, é preciso rever nosso aprendizado com suas falsas crenças.


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